Você ousará dizer: “sim”?

“Sim” ao chamado de Deus

É claro, em várias partes da Bíblia, que nosso dever e responsabilidade como filhos de Deus é divulgar as boas novas. Não é uma tarefa reservada para alguns, mas uma ordem para todos.

Paulo escreve em Atos 13.47: “Porque assim o Senhor nos ordenou: Eu fiz de você luz para os gentios, para que você leve a salvação até aos confins da terra”.

Nosso primeiro campo missionário está na nossa frente todos os dias. Nossa família, vizinhos, colegas de classe ou trabalho devem ser nosso primeiro objetivo. Mas isso não termina aí, precisamos expandir e alcançar “até aos confins da Terra”.

Permanecem muitos grupos étnicos sem alcançar. Somente no Brasil existem 340 grupos, muitos dos quais estão à espera de um missionário. Alguém que vive entre eles, aprende sua língua, sua cultura e lhes conte a maravilhosa história de Cristo, o Salvador.

“Sim” para o desconhecido e incerto

Deixar o nosso meio ambiente representa uma renúncia a muitas coisas que já conhecemos e controlamos. Sair da nossa zona de conforto não é humanamente lógico, mas seguir a Deus é sobre isso… colocar nossa fé na prática e confiar na Sua soberania.

Pedro e André, expertos pescadores, ouviram o chamado de Jesus e “no mesmo instante eles deixaram as suas redes e o seguiram” (Mt 4.20). Eu duvido que eles entendessem o que as palavras de Jesus em seu convite significavam quando ele disse: “Eu os farei pescadores de homens” (Mt 4.19), mas eles obedeceram.

Eles deixaram o conhecido, o que tinham feito todas as suas vidas e colocando toda a sua confiança em Jesus, seguiram seus passos. Eles nunca imaginaram o impacto que suas vidas simples ao serviço do Mestre teriam em toda a humanidade.

“Sim” para ser parte do trabalho de Deus

Romanos 11.36 nos diz, “pois dele, por ele, e para ele são todas as coisas”. No versículo seguinte, ele nos pede para apresentar nossos corpos como um sacrifício vivo, santo e agradável a Deus.

Sendo ainda nós imperfeitos, Deus nos inclui em seus planos e nos permite fazer parte do seu trabalho neste mundo. Ele nos confiou a tarefa de levar sua mensagem a todos, para ser seus instrumentos. Ele escolheu trabalhar através de nós.

É apenas uma questão de elevar o olhar para ver a necessidade. Devemos nos render à vontade de Deus para cumprir seu propósito para nossas vidas. Será Ele quem vai nos guiar, que nos equipa e treina, que irá abastecer as necessidades, que nos fortalecerá e animará.

Ainda há muito por fazer. Mesmo no meio do surgimento das comunicações e da tecnologia, as estatísticas sobre pessoas que não foram alcançadas com o evangelho de Deus são alarmantes. No Brasil existem 121 grupos étnicos que foram pouco ou nada evangelizados; que não têm a Bíblia em sua língua ou quem os ensine sobre o plano da salvação.

“Sim” para dar o melhor de sua vida

Alcançar um grupo étnico com uma língua e cultura diferente pode parecer uma tarefa para outra pessoa; alguém mais preparado, com mais experiência e capacidades. Podemos pensar que não temos nada a dar, que não somos os indicados para tal tarefa.

No entanto, o que Deus espera de nós é que coloquemos a seus pés o que temos e somos. Como a criança que compartilhou seus peixes e pães, e viu como Jesus usava sua oferta para realizar um milagre que abençoou muitos.

Colocado nas mãos de Deus, não há limite para o que pode acontecer.

“Sim” para receber as bênçãos de Deus

Somos membros do corpo de Cristo e recebemos dons para administrar. Usar nossos dons para servir a Deus, seja no meio de uma etnia ou apoiando aqueles que vão é um privilégio. Servir é uma maneira de adorar a Deus e glorificá-Lo por tudo o que Ele fez por nós (1Pedro 4.10,11).

Ao caminhar com Deus, apreciaremos a comunhão dos irmãos em Cristo, veremos o poder de Deus em ação, fortaleceremos nossa fé, experimentaremos a alegria de levar as almas aos pés de Cristo. Não há maior benção do que isso!

A tarefa não será fácil ou simples, mas é o que o nosso Deus espera de nós. Mariana de Castro, depois de investir anos e esforço em levar o evangelho a uma tribo isolada aqui no Brasil, escreve: “gostaríamos de ter outra vida para investir de novo numa causa tão sublime!”[1].

Os povos estão esperando! “Eles têm necessidades para as quais nenhuma prática cultural traz solução eficaz. A Palavra de Deus é a resposta por excelência para todos os anseios, em qualquer cultura” (Mariana de Castro).

Qual será a tua resposta?

Delia Russell

(aluna IBP, 2017)

[1] Mariana Castro no livro Esperando a volta do Criador de Onésimo Castro.

Projeto Corvo

Projeto Corvo

Há 40 anos servindo a Deus por meio da Missão Novas Tribos do Brasil, Sérgio e Elenir Siqueira iniciaram seu ministério entre o povo Yanomami no Norte do Amazonas, atuaram como pais de dormitório e equipe da liderança na Sede Administrativa da Missão em Manaus e, atualmente, são Promotores de Missões na cidade de São Paulo e arredores. Há alguns anos, Deus colocou em seus corações um novo desafio: O Projeto Corvo.

Revista Confins da Terra (CT): O que os irmãos tinham em mente ao iniciarem o Projeto Corvo?

Tínhamos o desejo de suprir alimentos de primeira necessidade para os alunos casados do Instituto Bíblico Peniel, o centro de treinamento da MNTB, que tem como objetivo preparar obreiros a nível de internato para trabalharem entre povos isolados no Brasil e no mundo. Esse treinamento consta de dois anos de curso intensivo, onde eles estão envolvidos em atividades pela manhã, à tarde e à noite, o que os impossibilita trabalhar para seu sustento.

Muitos destes alunos não têm sustento, pois mantenedores individuais e igrejas esperam que cheguem ao campo missionário para investir em suas vidas e ministérios. Também existem casos em que as igrejas desejam ajudar, mas não têm condições financeiras para isso.

Revista CT: Qual a origem desse nome?

O nome vem do texto de 1Reis 17.4-6, onde vemos que o Senhor ordenou aos corvos que sustentassem a Elias:

E há de ser que beberás do ribeiro; e Eu tenho ordenado aos corvos que ali te sustentem… E os corvos lhe traziam pão e carne pela manhã; como também pão e carne à noite; e bebia do ribeiro.

Deus se preocupou com as necessidades de seu servo e duas vezes ao dia lhe supria carne e pão. Deus é fiel e usa a quem Ele quer para os Seus propósitos. Olhando este texto pensamos: “Queremos ser instrumento do Senhor para suprir a necessidade de Seus servos”.

Revista CT: O que os motivou a abraçar esse ministério?

Meditando na Palavra pudemos ver como o Senhor se preocupa com as necessidades básicas das pessoas. Quando Jesus estava ensinando uma multidão, Ele se preocupou com o povo que sairia dali sem comer e os alimentou. Os levitas que serviam ao Senhor eram sustentados com parte das ofertas, pois precisavam se alimentar e se dedicavam o dia todo em realizar as tarefas de cuidado do templo.

Nós sabemos que existem pessoas e igrejas que se preocupam com isso e enviam cesta básica, outros doam leite e esse projeto é um complemento para isso, ofertando carne, frango e linguiça para aqueles que precisam.

Revista CT: Os irmãos me falaram que o projeto supri também necessidades de alguns líderes de Peniel. Por que o mesmo foi estendido aos líderes do Instituto?

Nossa visão não é somente alunos, mas todos aqueles que estão servindo ao Senhor. Os líderes de Peniel, seus professores, administrador, tesoureiro, etc, não são remunerados pela escola ou pela MNTB. Eles vivem pela fé. Muitas pessoas não sabem disso e acabam sustentando somente missionários em campos distantes. Talvez alguém lendo esta entrevista se pergunte: “Por que estes líderes não recebem salário de Peniel?” A MNTB é uma agência enviadora, que trabalha em conjunto com as igrejas e por isso não remunera seus missionários. Caso isso acontecesse seria muito dispendioso para os alunos dos centros de treinamento.

Revista CT: Que desafio vocês gostariam de deixar para os leitores?

Todos os serviços que fazemos terminam aqui. Eles são importantes, porém passageiros. Todos os investimentos também ficam para trás. No entanto, investir em vidas para o reino dura toda a eternidade. Abençoar pessoas produz frutos eternos. Pense assim: quando você investe na formação de missionários, estes alcançarão pessoas que irão para o céu e esse investimento não tem preço.

Se mais pessoas se envolverem neste projeto, ele poderá ser ampliado e os alunos do CTMS (Centro de Treinamento Missionário Shekinah), que é o treinamento da MNTB direcionado ao ministério transcultural, também serão abençoados. Vale a pena investir!

Revista CT: Como alguém pode fazer parte deste projeto?

Em primeiro lugar, orando pelo projeto para que o Senhor levante pessoas e igrejas dispostos a abençoar vidas.

Se você quiser saber mais detalhes de como participar, escreva para o Instituto Bíblico Peniel no email: ibpeniel@ibpeniel.org.br

Vejam abaixo alguns testemunhos que Valdir Vasconcelos, professor do Instituto Bíblico Peniel, ouviu dos alunos ao receberem os alimentos doados pelo Projeto Corvo. São casais de vários lugares do Brasil e alguns do exterior que tiveram suas necessidades supridas. Foram alunos africanos de São Tomé e Príncipe e de Angola, asiáticos, como uma irmã filipina, casada com um brasileiro, um casal de indígenas da etnia gavião, além, é claro, de muitos brasileiros:

O Senhor atendeu nossas orações.

Como Deus cuida de nós em todas as coisas que precisamos.

Viemos ao Brasil sem qualquer dinheiro ou promessa humana; apenas com a promessa do Senhor de que Ele cuidaria de nós, e hoje temos mais uma prova de que Deus é fiel.

Fonte: Revista Confins da Terra, ano 50, nº 164, jan-mar 2016, p. 6-7.

Justino e a Bíblia

Justino e a Bíblia

Acompanhe esta interessante conversa, sobre a justificação, entre a Bíblia e nosso amigo Justino*.

Bíblia: “Não sabeis que os injustos não hão de herdar o reino de Deus?” (1Coríntios 6.9).

Justino: “Ah, beleza, só os injustos vão para o inferno, eu não devo ser injusto, pois não faço nada de tão ruim”.

Bíblia: “Como está escrito: Não há um justo, nem um sequer” (Romanos 3.10).

Justino: “Opa, calma aí, deixa ver se eu entendi bem: só os justos vão para o céu e ninguém é justo? Bom, então vou começar a fazer obras de justiça, assim devo me tornar justo”.

Bíblia: “Somos como o impuro — todos nós! Todos os nossos atos de justiça são como trapo imundo. Murchamos como folhas, e como o vento as nossas iniquidades nos levam para longe” (Isaías 64.6). E digo mais, “o homem não é justificado por obras da lei… pois, por obras da lei ninguém será justificado” (Gálatas 2:14).

Justino: “Mas assim fica difícil. Eu não sou justo, não posso me justificar por minhas obras, pois Deus as vê como trapo de imundícia e nenhum injusto irá para o céu. Então estou perdido, miserável homem que eu sou! Não tem solução?”.

Bíblia: “Tendo sido, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo” (Romanos 5.1). Sabendo que: Cristo… “foi entregue por causa das nossas transgressões e ressuscitou por causa da nossa justificação” (Romanos 4.25). “Concluímos, pois, que o homem é justificado pela fé, independentemente de obras da lei” (Romanos 3.28).

Justino: “Agora eu entendi. Graças a Deus, por Jesus Cristo nosso Senhor! Eu era injusto, não ia para o céu e era incapaz de me justificar. Mas Cristo na cruz, morreu por mim e eu creio nesse sacrifício. Fui justificado, agora minha morada no céu é certa”.

Bíblia: “Vai, a tua fé te salvou” (Marcos 10.52).

E Justino, jubiloso, seguiu seu caminho (Atos 8.39).

Rodrigo Brilhante

(aluno IBP, 2016)

*Esclarecimento: Justino foi um nome fictício. Caso algum leitor tenha esse nome, não se ofenda, mas creia em Jesus e seja justificado ;)

60 anos

O Instituto Bíblico Peniel comemora neste ano, 60 anos de existência. Estamos preparando uma programação especial no dia 18 de junho.

Venha participar conosco desta celebração!

OBS. 1: Solicitamos que todos os que virão, mesmo para passar o dia, que entre em contato conosco. Para os que pretendem pernoitar, trazer lençol, cobertor e toalha.

OBS. 2: a nossa linha telefônica está em manutenção. Para entrar em contato envie um email para ibpeniel@ibpeniel.org.br ou ligue para (35) 98429-5051 – TIM, e fale com o irmão Valdir Vasconcelos.

60 anos corrigido 09

Como orar por missões

Como orar por missões

Finalmente, irmãos, orai por nós, para que a palavra do Senhor se propague, e seja glorificada, como também está acontecendo entre vós” (2Tessalonicenses 3.1)

Frequentemente me deparo com pessoas que gostariam de investir mais em Missões. A maioria destas associa seu investimento apenas com o suporte financeiro por meio de ofertas missionárias. É claro que este tipo de investimento também faz parte da obra de evangelização dos povos. Entretanto, quando estudamos a Palavra de Deus percebemos que além dos recursos financeiros a obra missionária depende primordialmente da oração.

O apóstolo Paulo, escrevendo sua segunda carta à igreja de Tessalônica (2Ts 3.1-2), ensina de maneira sucinta àqueles crentes a orarem por Missões. Esse ensino ainda é atual e relevante à Igreja de Cristo.

Então, como orar por Missões?

1. Ore especificamente pelos missionários

Paulo solicita aos irmãos daquela igreja que orem por ele, Silvano e Timóteo, os remetentes desta carta (2Ts 1.1), conhecidos por aquela igreja e que estavam realizando a obra do Senhor, provavelmente na idólatra cidade de Corinto (At 18.1,5).

Orar por Missões é orar por aqueles que estão realizando esta obra. Orar pela proteção de Deus na vida dos missionários, visto que muitos são os que se levantam para impedir a realização da obra missionária (v.2). Ore, preferencialmente, de maneira específica, ou seja, lembre-se dos missionários por seus nomes pessoais e de toda a sua família. Sei que é uma tarefa árdua lembrar-se de tantos missionários conhecidos, mas não se esqueça de que a oração exige compromisso.

Alguns anos atrás eu notei na mesa de refeição de um casal uma pequena caixa com vários cartões de oração dos vários missionários que eles conheciam. Toda refeição eles retiravam um desses cartões e oravam por aquele missionário ou família. Essa pode ser uma boa ideia.

Se possível, ore também pelos motivos e necessidades atuais com entendimento. É claro que para isso é necessário conhecer quais são esses motivos. Entretanto, está cada vez mais fácil obtermos notícias atuais dos missionários no campo. O alcance da internet, a democratização da telefonia móvel e as distâncias encurtadas pela aviação possibilitam uma comunicação entre missionários e parceiros cada vez melhor e mais rápida.

2. Ore pela propagação da Palavra de Deus

A palavra original traduzida por “propague” pode significar literalmente “tenha livre curso” ou “caminhe rapidamente”. O pedido de Paulo é que aqueles irmãos orassem para que a mensagem de Deus pudesse alcançar sem obstáculos e rapidamente outras pessoas.

Orar por Missões é orar para que a Palavra de Deus chegue a todos os povos. Assim como os mensageiros na antiguidade tinham que correr para entregar uma mensagem sem atrasos, nós temos que orar para que a mensagem de Deus aos povos chegue a tempo de todos escutarem as boas novas.

Devemos orar especialmente pela tradução da Palavra de Deus aos idiomas que ainda não tem essa bênção. Por aqueles que dedicam toda uma vida para realizar as traduções e correções necessárias a fim de que um povo possa ter a oportunidade de ler a Bíblia em sua própria língua.

3. Ore pela glorificação da Palavra de Deus

Glorificar a Palavra de Deus na verdade é glorificar a Deus. Apenas em outro versículo do Novo Testamento encontramos este mesmo verbo sendo usado para glorificar a Palavra de Deus, que é exatamente Atos 13.48, onde diz que os gentios “…glorificavam a palavra do Senhor…”. George Zeller comentando sobre esse versículo nos diz que “esses gentios se regozijaram porque a mensagem do evangelho não era apenas para os judeus, mas para todos os homens em toda a parte, e, portanto, engrandeceram a Palavra de Deus”[1].

Orar por Missões é orar pela glorificação da Palavra de Deus. Zeller diz também que a Palavra de Deus é glorificada e engrandecida quando homens recebem-na de bom grado, creem em sua mensagem e o resultado é que as suas vidas são transformadas. Portanto, orar pela obra missionária é lembrar-se daqueles que estão ouvindo a Palavra e pedir a Deus para que estas pessoas possam ter compreensão da mesma. Ore também por aqueles que estão com a árdua tarefa de ensinar os perdidos.

4. Ore por sua igreja local

Aquela igreja de Tessalônica era uma comunidade modelo do recebimento do Evangelho e o impacto que a Palavra produziu naquelas vidas e em toda a região da Macedônia e Acaia (1Ts 1.6-10). Paulo desejava que o mesmo que ocorrera com a igreja dos tessalonicenses pudesse ocorrer com outras pessoas em outros lugares.

Orar por Missões é também orar por nossa igreja local. Orar acima de tudo por um reavivamento na Palavra. Que as Escrituras possam ensinar, exortar e educar cada membro para a glória de Deus!

Ore também para que Deus dê uma visão missionária à Sua igreja. Que por meio desta visão muitos das fileiras da igreja se levantem para ir, orar e ofertar para Missões.

Que Deus nos ajude a sermos fiéis em nossas orações pela obra missionária!

[1] www.middletownbiblechurch.org/mevangel/thess31.htm.

Thiago Ishy

(missionário e professor do IBP)

Três motivações para missões

1. O Rei e Seu reino

Nossa geração não gosta da palavra “dever”. Faz me lembrar de limpar o banheiro para alguém. Quem gosta de limpar o banheiro? Nós amamos o conforto, novidade e autenticidade. Pense em tudo o que fazemos para tornar a vida um pouco mais fácil e um pouco mais divertida. Se sou responsável para realizar as ideias (deveres) dos outros, isso pode ameaçar o meu conforto, minha diversão.

Considere isto. Quando o rei manda, você obedece. É o seu dever; não um dever chato e trivial como limpar o banheiro, mas um dever que deixa o coração cheio de fidelidade patriótica a um rei majestoso que lidera seus homens no meio da batalha. Fidelidade a um rei que não se sentou em um escritório longe das linhas de batalha enviando ordens. Ele mesmo enfrentou todo tipo de oposição, pobreza, alienação, conflito, tensão familiar e várias tentativas de assassinato. Ele foi maltratado, incompreendido, falsamente acusado, julgado ilegalmente, espancado e executado como um ladrão comum.

Nossa fidelidade é a um rei que derrotou seu arqui-inimigo e está trazendo tudo que existe, incluindo a própria morte, sob o Seu domínio.

Jesus, o Grande Rei dos céus disse em Mateus 28:

…toda a autoridade no céu e na terra foi dada a mim… (Mt 28.18-19)

Pense nisso como credenciais: com Ele está a autoridade sobre tudo o que foi criado na terra, no céu, sobre o mundo espiritual, sobre a vida, sobre a morte. Nenhum presidente, policial, nenhum líder religioso pode fazer uma declaração como essa. Com essa autoridade em mente, Ele disse:

Portanto, ide e fazei discípulos de todas as nações… (Mt 28.18-19)

Nós como seguidores de Cristo, recebemos essa ordem da mesma maneira que os discípulos. Somos comissionados a fazer discípulos em todas as nações (pense: povos ou etnias), trazendo-os à fidelidade demonstrada a Cristo (batismo) e obediência aos Seus mandamentos (incluindo este).

Quando esse bondoso, poderoso e majestoso rei dá uma ordem, seu povo cheio de amor e gratidão, com prazer, obedece. É o nosso dever abençoado.

2. O coração do Rei pelos perdidos

Qualquer pai de filhos pequenos entende o perigo de uma rua movimentada. Para protegê-los damos comandos, colocamos impedimentos, barreiras. Explicamos, imploramos, pedimos, quase ameaçamos. Fazemos qualquer coisa para mantê-los longe da rua, porque, nós entendemos as consequências do perigo.

Às vezes, tratamos o inferno com muito menos terror. Nós dizemos que acreditamos que o inferno é real. No entanto, muitas vezes há uma enorme disparidade entre os horrores que aguardam aqueles que rejeitam a Cristo e a ansiedade que caracteriza as nossas advertências. Há tribos e povos indígenas, vivendo e morrendo sem Cristo, sem esperança de serem salvos do inferno (Jo 14.6; Rm 1.20).

Estar perdido, começa muito antes da morte. O livro de Mateus registra um vislumbre do coração de Jesus para os perdidos. Ele estava viajando pelas cidades e aldeias, ensinando, pregando o evangelho do seu reino, curando doenças e todo tipo de aflições (físicas ou espirituais). Observe o que apertou seu coração.

Ao ver as multidões teve compaixão delas, porque estavam aflitas e desamparadas, como ovelhas sem pastor. Então disse aos seus discípulos: A colheita é grande, mas os trabalhadores são poucos. Peçam pois, ao Senhor da colheita que envie trabalhadores para sua colheita (Mt 9.37-38).

Jesus tinha acabado de curar todo tipo de doença e aflição, no entanto o que trouxe compaixão foi ver as multidões cansadas e espiritualmente abatidas e intimidadas pelos líderes religiosos. As multidões eram como ovelhas sendo assediadas por um lobo e sem pastor para protegê-las.

Compaixão é diferente de culpa ou pena. Compaixão é uma dor produzida por amor que leva à ação. Hoje há cerca de 120 etnias no Brasil sem esperança da salvação; sem a Palavra de Deus em sua língua; sem nenhum testemunho de Cristo; sem nenhum crente para guiá-los à verdade. São perseguidos pelas superstições e pelos espíritos. Eles têm que suportar a dor deste mundo quebrado e amaldiçoado sem a esperança da vida eterna com Deus e sem a paz de nosso Pastor; sem a verdade protegendo suas almas contra as mentiras.

Compaixão verdadeira nos leva a fazer algo radical para aliviar esse sofrimento espiritual. Se nós, como discípulos, queremos ser como Cristo, se queremos pensar como Ele e ter um coração igual ao Dele, vamos também chorar pelos perdidos e clamar a Deus por mais trabalhadores.

3. A glória de Deus

Somos naturalmente egocêntricos, ou seja, pensamos que somos o centro de tudo. Inconscientemente penso em mim como o motorista e todos os outros na estrada, como tráfego. Sou o cliente no shopping, todos os outros são a multidão.

Às vezes, fazemos a mesma coisa com a nossa fé. Eu posso agir de tal maneira que dê a entender que Deus e a Bíblia servem só para me agradar.

Ouça bem! Dou graças pela minha salvação, paz e todas as bênçãos que tenho em Cristo, só que, fui feito para a glória Dele e não o contrário. Colossenses 1.16 diz:

…todas as coisas foram criadas por ele e para ele.

Quando os discípulos perguntaram a Jesus como eles deviam orar, Ele os instruiu assim:

Pai nosso, que estás no céu, santificado seja o teu nome. Venha o teu reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu. Dá-nos hoje o nosso pão de cada dia. Perdoa as nossas dívidas, assim como perdoamos aos nossos devedores. Não nos deixeis cair em tentação, mas livra-nos do mal. Porque teu é o reino, o poder e a glória para sempre (Mt 6.9-13).

A primeira afirmação da oração estabelece o quadro para o que se segue. Pai Nosso: um provedor amoroso, protetor, autoridade digna de respeito. Que estás no céu: na posição de autoridade total, assentado acima de tudo o que foi criado. Santificado seja o teu nome: seja elevado, glorificado, creditado, reverenciado.

 E assim segue a oração de Jesus centrada na glória de Deus e no Seu reino. É um tema central que atravessa todas as Escrituras. Então, a preocupação com a glória de Deus e a Sua fama entre todas as nações deve bater no coração e correr nas veias de cada crente. Deve dirigir os nossos pensamentos, as nossas escolhas, nossas ações.

Anunciem a sua glória entre as nações, seus feitos maravilhosos entre todos os povos porque grande é o Senhor e mui digno de louvor. Ele é mais temível do que todos os deuses (Sl 96.4-5).

Enfim, Deus está agitando nossos corações para vê-lo como digno, glorioso e precioso. Ele está dando a seus filhos uma compaixão pelas almas perdidas e uma santa chamada para obedecer aos Seus mandamentos.

A colheita é grande, mas os trabalhadores são poucos. Peçam pois, ao Senhor da colheita que envie trabalhadores para sua colheita (Mt 9.37-38).

André Royer

(pastor, missionário e professor do IBP)

Missões Xtreme 2015

Nestes últimos dias aconteceu o acampamento de jovens Missões Xtreme. Fomos agraciados pelo Senhor com um ótimo tempo de comunhão, amizade, aprendizado, brincadeiras e reflexão.

O tema deste ano foi “Não sou fã”. A ideia era de que o crente não deve ser apenas um fã de Cristo, da Igreja ou de Missões. Mas, ser um verdadeiro seguidor de Cristo e, assim, participar da Igreja ativamente.

Contamos com mais de 100 acampantes entre os dias 10 e 12 de outubro. Havia jovens de Nova Iguaçu – RJ, São Paulo – SP, Poá – SP, Campinas – SP, Garça – SP e de várias outras localidades. Muitos jovens das cidades aqui da região (Itapira, Jacutinga e Ouro Fino) vieram passar o dia conosco.

Ouvimos mensagens edificantes com o Pr. Clésio Pontes (Igreja Batista Boas Novas de Jundiaí), Alexandre Hencklein (Peniel) e Pércio Coutinho (Peniel). Houve ainda divertidas brincadeiras, peças teatrais desafiantes, uma trilha no mato, boas refeições e agradável comunhão. Vários jovens foram desafiados a serem verdadeiros seguidores de Cristo por onde Deus os enviar.

Obrigado pelas suas orações e participação. Contamos com você em 2016!

Veja algumas fotos do acampamento aqui ou na nossa fan page do Facebook.

O tempo da colheita

Há algumas semanas atrás, perdemos quase toda nossa plantação de milho aqui no Instituto Bíblico Peniel. Muito milho havia sido plantado, no semestre passado, e aguardávamos em grande expectativa pelo tempo da colheita. Minha esposa estava ensaiando a preparação de um novo prato, numa receita que ela havia aprendido com uma das colegas.

Porém, no segundo dia da colheita, uma equipe foi escalada para ceifar o milho maduro. Mas retornaram apenas com a notícia de que tudo estava perdido!

“Passou o tempo da colheita e o milho não presta mais. Todas as espigas da plantação estão duras e não há mais utilidade, senão para serem lançadas às galinhas e aos peixes do açude”, diziam eles.

Ao ouvir aquele relatório e pensar nos metros quadrados de plantação, que tomava toda a frente do Instituto, as minhas palavras de reprovação foram: Quanto desperdício!

Enquanto isso, uma enorme tristeza arrebatava meu coração, exatamente por não ter tido a urgência e a sensibilidade de um agricultor para de identificar o tempo exato da ceifa. Agora não havia mais tempo, não adiantava colher mais nada, toda a nossa plantação estava perdida.

Passei a tarde ocupado em outras atividades, mas sempre pensando em toda a situação ocorrida. Foi então que me lembrei que nem tudo estava perdido. Pois, ainda que impossibilitado de colher o milho, havia uma outra grande colheita me esperando.

Cheguei a essa conclusão, meditando nas seguintes palavras de Jesus:

Não dizeis vós: Ainda há quatro meses até que venha a ceifa? Ora, eu vos digo: levantai os vossos olhos, e vede os campos, que já estão brancos para a ceifa (Jo 4.35).

Você já deve ter percebido que não estou me referindo a uma colheita de grãos ou de cereais, mas de almas. Dezenas, centenas e talvez milhares de frutos espalhados entre os povos e em toda a extensão da seara de Deus aguardando para serem ceifados, de maduros que estão.

Devemos lembrar que o Pai, o Grande Agricultor, é quem nos convoca através da Sua Palavra. Ele nos colocou no mundo, como igreja, para sermos seus ceifeiros e trabalharmos por toda a Sua seara e não apenas em algumas regiões específicas:

…tanto em Jerusalém, como em toda Judéia e Samaria, e até aos confins da terra (At 1.8).

Na divisão de tarefas o Pai deseja enviar alguns como ceifeiros onde o Evangelho já foi semeado e outros como semeadores onde a terra ainda precisa ser trabalhada:

Porque nisto é verdadeiro o ditado: Um é o que semeia, e outro o que ceifa. Eu vos enviei a ceifar onde não trabalhaste; outros trabalharam, e vós entrastes no seu trabalho (Jo 4.37-38).

Cada atividade deve ser realizada com fidelidade, dedicação e muita atenção. Para que os trabalhadores, os que mexem com a terra, não permitam que os frutos apodreçam pela negligência na administração do tempo exato para a colheita.

No entanto, tem faltado trabalhadores, pois alguns acreditam que seja muito difícil trabalhar com a agricultura e fogem do trabalho, principalmente, em regiões de plantio onde o solo é duro.

Todavia se esquecem que há intenso regozijo para os que semeiam e para os que colhem. Pois estes são os que ajuntam os frutos para a vida eterna e receberão do Pai uma fiel recompensa:

Quem ceifa já está recebendo recompensa e ajuntando fruto para a vida eterna; para que o que semeia e o que ceifa juntamente se regozijem (Jo 4.36).

Jairo de Oliveira

(pastor, escritor, missionário e ex-aluno IBP)

Envolvendo a família em missões

Conversando com pessoas que querem envolver-se com missões, podemos ouvir a seguinte pergunta: “Como posso envolver-me com missões de maneira prática?”.

A Bíblia nos textos abaixo, incentiva o crente a investir na vida espiritual da família. Podemos aprender com estes exemplos: Dt 6.4-9; Js 1.8; 24.15; Jó 1.5; Sl 78.1-8; 2Tm 1.5; 3.14-15.

Envolver a família com Missões é uma responsabilidade e um privilégio que nós temos como crentes.

Envolver-se com missões estimula hábitos indispensáveis para a vida cristã como oração e evangelização (2Tm 1.4-7; 3.14-15).

Quero compartilhar algumas sugestões de envolvimento com missões:

Estabelecendo um tempo para envolver-se com missões

Determine um tempo que seja adequada para todos.  A hora pode ser modificada, mas é necessário que haja aquele momento especial.

Estabeleça de início um alvo atingível: talvez 10 a 15 minutos. Se o ambiente for propício é possível ter um tempo maior.

O que deve acontecer no momento missionário?

Leitura da Bíblia

  1. Leitura e aplicação do texto missionário.
  2. Memorização de versículos missionários.
  3. Busque na Bíblia, desde o livro de Gênesis a maneira que Deus agiu para alcançar o mundo perdido.

Oração

  1. Pelos missionários.
  2. Pelas necessidades da obra missionária.

Luiz Silva

(pastor e missionário da MNTB)

Os contatos do missionário com a realidade missionária indígena

Texto

Atos 28.1-10

Introdução

O apóstolo Paulo era de Tarso, uma cidade universitária da época. O convívio dele flutuava entre duas culturas: a judaica e a gentílica grego-romana. Ele não apenas conhecia bem as duas culturas, como fazia parte delas.

Embora Paulo seja um padrão para o trabalho transcultural, só houve dois lugares visitados por ele que eram considerados primitivos.

Um desses lugares foi a ilha de Creta. Ele mesmo não começou aquele trabalho. Provavelmente, foram João Marcos e Barnabé na famosa separação das equipes missionárias. Paulo nem mesmo trabalhou em Creta, mas enviou Tito. E teve uma passagem muito rápida por ali. Até que ele quis ficar uns 4 meses, mas a tripulação do navio que ia para Roma não quis e quase naufragaram (At 27.7-23). Mesmo assim, os cretenses tinham costumes de piratas, mas foram colonizados pelos gregos 1500 anos antes de Cristo.

Outro campo missionário transcultural para Paulo foi a ilha de Malta. De fato, este foi o único lugar que Paulo visitou que podemos afirmar que se tratava de cultura diferente da cultura judaico-grego-romana que Paulo tão bem conhecia.

Não foi uma visita programada, nem uma viagem missionária. Mas foi o resultado do naufrágio daquele navio cheio de prisioneiros.

Por um lado podemos dizer que Paulo chegou acidentalmente (naufrágio), mas por outro lado devemos crer que foi a providência divina que o lançou ali.

A chegada de Paulo na ilha de Malta serve de inspiração e modelo para o trabalho missionário indígena.

A começar pelo acesso, chegar até à ilha de Malta era um desastre (At 27.41-28.1). Os trajetos para alguns trabalhos missionários indígenas são sofríveis.

O trabalho transcultural antes de tudo é um contato com uma outra realidade. Para o missionário recém-chegado pode não parecer real, mas é que a realidade é um tanto diferente da realidade que ele está acostumado.

O candidato ao trabalho missionário deve se preparar para o contato com outra cultura. A estadia de Paulo na ilha de Malta dá um vislumbre do contato do missionário com o campo de trabalho futuro.

O contato com os bárbaros (v.2)

Há uma forte campanha para evitar termos como estes, mas sempre existiram culturas de costumes primitivos, menos desenvolvidas em relação ao desenvolvimento normal do mundo. São os chamados “povos isolados”.

Os gregos apelidaram esses grupos de bárbaros, pois como não falavam grego, a língua oficial, tudo o que falavam aos ouvidos dos gregos soava como “bar bar”, como uma criança articulando as primeiras sílabas.

O termo se generalizou até chegar aos nossos tempos. A discriminação não está propriamente no termo, mas em considerar-se mais humano do que esses povos.

Alguns povos isolados são bravos. O saudoso missionário Abraão Koop, da Missão Novas Tribos dizia que os Paacas Novos receberam os primeiros missionários com flechas. Assim foi com a tribo Sawi na Papua Nova Guiné, cuja história é relatada no livro “Senhores da Terra”.

Os primeiros missionários da New Tribes Missions foram mortos pelos índios Ayoré da Bolívia. As cinco viúvas continuaram o trabalho e viram os assassinos de seus maridos se converterem.

Antes da Missão Novas Tribos, três ingleses vieram para o Pará fazer contato com os Kaiopó. Os três foram mortos. Foi escrita a história, não traduzida para o português, desses três jovens. O livro se chama “Os três Freddys”, pois tinham o mesmo nome e a mesma convicção. Isto foi em 1927.

Nem todos os bárbaros, ou povos isolados, são hostis. Os missionários das Novas Tribos se prepararam para um contato difícil com os Zo’é (na época os Poturu). Para a surpresa de todos o contato foi pacífico.

O contato com os bárbaros da ilha de Malta foi tão pacífico que eles nem queriam os pertences das pessoas, mas pelo contrário, cuidaram deles e de suas necessidades físicas (v.2).

O missionário terá, portanto, contato com pessoas de verdade, amigos de verdade, mas de costumes e maneiras de civilização, às vezes, totalmente diferentes para ele.

O contato com animais peçonhentos (v.3)

É impossível negar a realidade de que o missionário encontrará cobras no campo. O Brasil é um país tropical e tem as mais belas e perigosas variedades de cobras. Em Minas Gerais ver cobras é comum; em Mato Grosso matar cobras é comum; no Amazonas ver e matar cobras é inevitável.

Todos os missionários já foram protegidos de picadas de cobra sem mesmo o saberem. Não existem só as cobras que vemos; aquelas que passam antes de nós ou aquelas que chegam depois de nós, também são reais. Os anjos protegem os missionários, também, das cobras. Criancinhas são protegidas por eles muitas vezes. Se algum missionário ou filho for picado não significa que os anjos dormiram, mas que Deus por alguma razão quis que aquilo acontecesse.

Índios são picados por cobras. Os missionários já foram picados por cobras. Ambos são humanos e as cobras não fazem distinção.

O missionário Bill Moore entregou ao Senhor sua filhinha de cinco anos. Uma surucucu foi o instrumento de Deus para levar a criança. Élden, filho do missionário Coy, também foi picado por cobra.

Os animais peçonhentos, insetos perigosos e outros animais são uma realidade do trabalho missionário. O missionário terá contato com esses bichos.

O contato com as crendices do povo (v.4-6)

O missionário poderá ser visto, às vezes, como um intruso e coisas erradas que, porventura, acontecerem na tribo podem ser atribuídas à ira dos espíritos sobre o povo por causa do missionário (v.4).

Certa tribo guarda o costume milenar de proibir que mulheres vejam o rosto do homem que usa máscara em uma de suas festividades. A penalidade para tal ato é abrir uma grande cova, entrar toda a aldeia dentro e colocar fogo para que todos morram. Os missionários não estão isentos de serem a “maldição” e tampouco estariam livres da penalidade. Na China os velhos são venerados e depois de mortos adorados e invocados [1]. Já os esquimós exterminam os velhos, colocando-os numa jangada e mandando para as águas gélidas para morrerem [2]. Muitas culturas não toleram o segundo gêmeo e matam apaziguando os maus espíritos.

Os povos estão cheios de crendices. Os nativos da ilha de Malta receberam bem Paulo, mas ao ser picado pela cobra viram-no como um assassino sendo perseguido por forças sobrenaturais.

Todo missionário aprende a desenvolver um estudo de cultura chamado “Os Universais”. Cada aspecto da cultura deve ser observado e anotado pelo missionário. Mas ao começar a anotar as crendices o missionário logo vê que a tarefa é imensa. As crendices deles vão de um extremo para o outro. No caso dos maltenses Paulo ou era um homicida ou um deus (v.5-6).

O missionário deve ficar atento, pois este é o contato mais sério e difícil dos povos explicarem. É o contato com suas crendices.

O contato com chefes de aldeia (v.7)

O missionário deve se apressar em fazer um bom contato com chefe  da aldeia. Isto não significa que será o líder da igreja, mas para ter liberdade de trabalho o missionário precisa ter a aprovação do chefe.

Paulo foi bem recebido e ganhou três dias de hospedagem com o chefe da aldeia (v.7).

O candidato à obra missionário precisa aprender a respeitar as autoridades desde já, pois seria o fim de seu ministério se não aceitasse a autoridade de um chefe de aldeia e ultrapassasse as suas instruções. É um contato que precisa ser treinado desde já. Aprender a obedecer sem questionar.

O contato com os doentes (v.8-9)

O candidato ao trabalho missionário indígena faz coisas que dificilmente faria em nossa sociedade. Nem mesmo seria prudente e legal, ou seja, tratar dos doentes.

O curso de enfermagem será muito útil, mas nem todos podem ser enfermeiros. A equipe ideal é aquela que tem pessoas com várias habilidades.

Mas de qualquer forma, os doentes são uma realidade para o missionário. O amor pelos perdidos deve se estender para o cuidado com a sua saúde. As coisas mais básicas para nós são incomuns para muitos índios. Por exemplo: fazer um índio tomar comprimidos por 15 dias. Ou o missionário aplica injeções ou cuida do índio como cuidaria de um filho: acorda para dar remédio e faz uma escala para levar o tratamento até o final.

Agora multiplique isto por 100, 150, 200 ou mais pessoas. E quando a aldeia é acometida por uma epidemia? E quando há casos em que é necessário pagar um vôo de emergência? Lembre-se que a MNTB não custeia remédios e nem viagens. E não poucas vezes o missionário presenciará a morte de crianças e adultos. Outras vezes será acusado pela morte deles por tirar do curandeiro para tratar com remédios.

O candidato deve desenvolver a prática da oração pelos enfermos e deixar de pensar só em si. Paulo teve contato com um doente na ilha de Malta (v.8-9). Lembre-se que Paulo era doente e estava indo para a prisão e saído de um naufrágio, mas no momento não estava se lamentando, porém, pensando nos outros.

Um contato certo que o missionário terá de enfrentar, é o contato com doentes e alguns deles com doenças contagiosas.

O contato com a honra (v.10)

Talvez o contato mais perigoso que o missionário terá de enfrentar não é com índios bravos, com cobras, com as crendices, com o chefe ou com doenças contagiosas, mas o contato com a honra.

A humildade precede a honra, mas é possível uma outra ordem. Quando missionários não são humildes o suficiente para receber honras, pode ser a ruína deles.

Achar que pessoas não viveriam sem o nosso trabalho é a pior arrogância do missionário, pois com tal atitude ele está menosprezando os seus companheiros de ministério e a Deus que Lhe dá capacidade para trabalhar.

Paulo foi honrado pelos maltenses e até recebeu oferta deles. Mas Paulo chegou naquela ilha por causa  de um naufrágio, foi usado por causa da misericórdia de Deus e saiu dali com as honras que deveriam ser devolvidas a Deus assim que entrasse de volta para a embarcação.

Cuidado com o contato com a honra. Quando o missionário fica mais conhecido, ele deve manter a mesma atitude humildade daquela com a qual começou a sua carreira.

Conclusão

A vida do missionário é uma vida de contato. Os contatos são reais, porém, uma realidade diferente da sua própria.

O contato com povos primitivos (bárbaros). O contato com animais perigosos (cobras). O contato com as crendices do povo. O contato com chefes de aldeia. O contato com doentes (e doenças contagiosas). O contato com a honra.

O preparo missionário ajudará a amenizar o choque desses contatos e a dependência de Deus fará possível esses contatos.

[1] NIDA, E.A. Costumes e culturas. 2ª edição. São Paulo: Vida Nova, 1988, p.41.

[2] Ibid.

Pércio Coutinho

(pastor, missionário e professor do IBP)