O tempo da colheita

Há algumas semanas atrás, perdemos quase toda nossa plantação de milho aqui no Instituto Bíblico Peniel. Muito milho havia sido plantado, no semestre passado, e aguardávamos em grande expectativa pelo tempo da colheita. Minha esposa estava ensaiando a preparação de um novo prato, numa receita que ela havia aprendido com uma das colegas.

Porém, no segundo dia da colheita, uma equipe foi escalada para ceifar o milho maduro. Mas retornaram apenas com a notícia de que tudo estava perdido!

“Passou o tempo da colheita e o milho não presta mais. Todas as espigas da plantação estão duras e não há mais utilidade, senão para serem lançadas às galinhas e aos peixes do açude”, diziam eles.

Ao ouvir aquele relatório e pensar nos metros quadrados de plantação, que tomava toda a frente do Instituto, as minhas palavras de reprovação foram: Quanto desperdício!

Enquanto isso, uma enorme tristeza arrebatava meu coração, exatamente por não ter tido a urgência e a sensibilidade de um agricultor para de identificar o tempo exato da ceifa. Agora não havia mais tempo, não adiantava colher mais nada, toda a nossa plantação estava perdida.

Passei a tarde ocupado em outras atividades, mas sempre pensando em toda a situação ocorrida. Foi então que me lembrei que nem tudo estava perdido. Pois, ainda que impossibilitado de colher o milho, havia uma outra grande colheita me esperando.

Cheguei a essa conclusão, meditando nas seguintes palavras de Jesus:

Não dizeis vós: Ainda há quatro meses até que venha a ceifa? Ora, eu vos digo: levantai os vossos olhos, e vede os campos, que já estão brancos para a ceifa (Jo 4.35).

Você já deve ter percebido que não estou me referindo a uma colheita de grãos ou de cereais, mas de almas. Dezenas, centenas e talvez milhares de frutos espalhados entre os povos e em toda a extensão da seara de Deus aguardando para serem ceifados, de maduros que estão.

Devemos lembrar que o Pai, o Grande Agricultor, é quem nos convoca através da Sua Palavra. Ele nos colocou no mundo, como igreja, para sermos seus ceifeiros e trabalharmos por toda a Sua seara e não apenas em algumas regiões específicas:

…tanto em Jerusalém, como em toda Judéia e Samaria, e até aos confins da terra (At 1.8).

Na divisão de tarefas o Pai deseja enviar alguns como ceifeiros onde o Evangelho já foi semeado e outros como semeadores onde a terra ainda precisa ser trabalhada:

Porque nisto é verdadeiro o ditado: Um é o que semeia, e outro o que ceifa. Eu vos enviei a ceifar onde não trabalhaste; outros trabalharam, e vós entrastes no seu trabalho (Jo 4.37-38).

Cada atividade deve ser realizada com fidelidade, dedicação e muita atenção. Para que os trabalhadores, os que mexem com a terra, não permitam que os frutos apodreçam pela negligência na administração do tempo exato para a colheita.

No entanto, tem faltado trabalhadores, pois alguns acreditam que seja muito difícil trabalhar com a agricultura e fogem do trabalho, principalmente, em regiões de plantio onde o solo é duro.

Todavia se esquecem que há intenso regozijo para os que semeiam e para os que colhem. Pois estes são os que ajuntam os frutos para a vida eterna e receberão do Pai uma fiel recompensa:

Quem ceifa já está recebendo recompensa e ajuntando fruto para a vida eterna; para que o que semeia e o que ceifa juntamente se regozijem (Jo 4.36).

Jairo de Oliveira

(pastor, escritor, missionário e ex-aluno IBP)

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