Três motivações para missões

1. O Rei e Seu reino

Nossa geração não gosta da palavra “dever”. Faz me lembrar de limpar o banheiro para alguém. Quem gosta de limpar o banheiro? Nós amamos o conforto, novidade e autenticidade. Pense em tudo o que fazemos para tornar a vida um pouco mais fácil e um pouco mais divertida. Se sou responsável para realizar as ideias (deveres) dos outros, isso pode ameaçar o meu conforto, minha diversão.

Considere isto. Quando o rei manda, você obedece. É o seu dever; não um dever chato e trivial como limpar o banheiro, mas um dever que deixa o coração cheio de fidelidade patriótica a um rei majestoso que lidera seus homens no meio da batalha. Fidelidade a um rei que não se sentou em um escritório longe das linhas de batalha enviando ordens. Ele mesmo enfrentou todo tipo de oposição, pobreza, alienação, conflito, tensão familiar e várias tentativas de assassinato. Ele foi maltratado, incompreendido, falsamente acusado, julgado ilegalmente, espancado e executado como um ladrão comum.

Nossa fidelidade é a um rei que derrotou seu arqui-inimigo e está trazendo tudo que existe, incluindo a própria morte, sob o Seu domínio.

Jesus, o Grande Rei dos céus disse em Mateus 28:

…toda a autoridade no céu e na terra foi dada a mim… (Mt 28.18-19)

Pense nisso como credenciais: com Ele está a autoridade sobre tudo o que foi criado na terra, no céu, sobre o mundo espiritual, sobre a vida, sobre a morte. Nenhum presidente, policial, nenhum líder religioso pode fazer uma declaração como essa. Com essa autoridade em mente, Ele disse:

Portanto, ide e fazei discípulos de todas as nações… (Mt 28.18-19)

Nós como seguidores de Cristo, recebemos essa ordem da mesma maneira que os discípulos. Somos comissionados a fazer discípulos em todas as nações (pense: povos ou etnias), trazendo-os à fidelidade demonstrada a Cristo (batismo) e obediência aos Seus mandamentos (incluindo este).

Quando esse bondoso, poderoso e majestoso rei dá uma ordem, seu povo cheio de amor e gratidão, com prazer, obedece. É o nosso dever abençoado.

2. O coração do Rei pelos perdidos

Qualquer pai de filhos pequenos entende o perigo de uma rua movimentada. Para protegê-los damos comandos, colocamos impedimentos, barreiras. Explicamos, imploramos, pedimos, quase ameaçamos. Fazemos qualquer coisa para mantê-los longe da rua, porque, nós entendemos as consequências do perigo.

Às vezes, tratamos o inferno com muito menos terror. Nós dizemos que acreditamos que o inferno é real. No entanto, muitas vezes há uma enorme disparidade entre os horrores que aguardam aqueles que rejeitam a Cristo e a ansiedade que caracteriza as nossas advertências. Há tribos e povos indígenas, vivendo e morrendo sem Cristo, sem esperança de serem salvos do inferno (Jo 14.6; Rm 1.20).

Estar perdido, começa muito antes da morte. O livro de Mateus registra um vislumbre do coração de Jesus para os perdidos. Ele estava viajando pelas cidades e aldeias, ensinando, pregando o evangelho do seu reino, curando doenças e todo tipo de aflições (físicas ou espirituais). Observe o que apertou seu coração.

Ao ver as multidões teve compaixão delas, porque estavam aflitas e desamparadas, como ovelhas sem pastor. Então disse aos seus discípulos: A colheita é grande, mas os trabalhadores são poucos. Peçam pois, ao Senhor da colheita que envie trabalhadores para sua colheita (Mt 9.37-38).

Jesus tinha acabado de curar todo tipo de doença e aflição, no entanto o que trouxe compaixão foi ver as multidões cansadas e espiritualmente abatidas e intimidadas pelos líderes religiosos. As multidões eram como ovelhas sendo assediadas por um lobo e sem pastor para protegê-las.

Compaixão é diferente de culpa ou pena. Compaixão é uma dor produzida por amor que leva à ação. Hoje há cerca de 120 etnias no Brasil sem esperança da salvação; sem a Palavra de Deus em sua língua; sem nenhum testemunho de Cristo; sem nenhum crente para guiá-los à verdade. São perseguidos pelas superstições e pelos espíritos. Eles têm que suportar a dor deste mundo quebrado e amaldiçoado sem a esperança da vida eterna com Deus e sem a paz de nosso Pastor; sem a verdade protegendo suas almas contra as mentiras.

Compaixão verdadeira nos leva a fazer algo radical para aliviar esse sofrimento espiritual. Se nós, como discípulos, queremos ser como Cristo, se queremos pensar como Ele e ter um coração igual ao Dele, vamos também chorar pelos perdidos e clamar a Deus por mais trabalhadores.

3. A glória de Deus

Somos naturalmente egocêntricos, ou seja, pensamos que somos o centro de tudo. Inconscientemente penso em mim como o motorista e todos os outros na estrada, como tráfego. Sou o cliente no shopping, todos os outros são a multidão.

Às vezes, fazemos a mesma coisa com a nossa fé. Eu posso agir de tal maneira que dê a entender que Deus e a Bíblia servem só para me agradar.

Ouça bem! Dou graças pela minha salvação, paz e todas as bênçãos que tenho em Cristo, só que, fui feito para a glória Dele e não o contrário. Colossenses 1.16 diz:

…todas as coisas foram criadas por ele e para ele.

Quando os discípulos perguntaram a Jesus como eles deviam orar, Ele os instruiu assim:

Pai nosso, que estás no céu, santificado seja o teu nome. Venha o teu reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu. Dá-nos hoje o nosso pão de cada dia. Perdoa as nossas dívidas, assim como perdoamos aos nossos devedores. Não nos deixeis cair em tentação, mas livra-nos do mal. Porque teu é o reino, o poder e a glória para sempre (Mt 6.9-13).

A primeira afirmação da oração estabelece o quadro para o que se segue. Pai Nosso: um provedor amoroso, protetor, autoridade digna de respeito. Que estás no céu: na posição de autoridade total, assentado acima de tudo o que foi criado. Santificado seja o teu nome: seja elevado, glorificado, creditado, reverenciado.

 E assim segue a oração de Jesus centrada na glória de Deus e no Seu reino. É um tema central que atravessa todas as Escrituras. Então, a preocupação com a glória de Deus e a Sua fama entre todas as nações deve bater no coração e correr nas veias de cada crente. Deve dirigir os nossos pensamentos, as nossas escolhas, nossas ações.

Anunciem a sua glória entre as nações, seus feitos maravilhosos entre todos os povos porque grande é o Senhor e mui digno de louvor. Ele é mais temível do que todos os deuses (Sl 96.4-5).

Enfim, Deus está agitando nossos corações para vê-lo como digno, glorioso e precioso. Ele está dando a seus filhos uma compaixão pelas almas perdidas e uma santa chamada para obedecer aos Seus mandamentos.

A colheita é grande, mas os trabalhadores são poucos. Peçam pois, ao Senhor da colheita que envie trabalhadores para sua colheita (Mt 9.37-38).

André Royer

(pastor, missionário e professor do IBP)

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2 thoughts on “Três motivações para missões

    • 19 de dezembro de 2015 at 16:36
      Permalink

      Obrigado Josival. Deus abençoe você, sua família e igreja local.

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